Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: Fui eu??
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Não sei quantas Almas tenho
Publicada por Oriana à(s) 10:15 p.m.
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4 comentários:
Gosto:)
Sinto me flutuar ao le lo:)
Tens uma! E muito graaaaaande! :)
Este Mar que beija a Ilha
Traz de longe sonhos perdidos
Adormece na areia e deixa
Na espuma mil e um segredos
Meus sonhos são estrelas que semeio no espaço
São corpo nu que vagueia pela saudade
Brotam e correm para o Mar
Enfrentam a dor a tempestade
Bom domingo
Doce beijo
Tenho algures um poema feito por mim com a mesma tematica... Fernado Pessoa foi uma grande fonte de inspiração para mim... um dia lol
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